Patinando com o Alter-Ego

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12.4.04
# Bem cedo, antes das sete, o Malatesta apareceu com uma caixa desses docinhos de festa, desses tais cajuzinhos, cada qual rolado em açúcar cristal e com um amendoim engastado.
Mordi um, gostei, comprei a caixa toda. Mesmo achando caro, paguei vinte e cinco reais por duas dúzias de cajuzinhos.
O maledetto bigodudo ficou eufórico e declarou, com olhos quase chorosos, que eu havia colaborado com as pobrezinhas internas do Santa Clara. Disse, ainda, que eu era muito mais caridoso, muito mais humano e humanitário do que o vizinho da frente (um riquíssimo empresário da construção civil), que nem sequer tivera a delicadeza de experimentar umazinha daquelas gostosuras feitas com tanto capricho.

"Você disse que estes cajuzinhos foram feitos pelas internas do Santa Clara, Malatesta? Santa Clara... Santa Clara... Seria um Convento Santa Clara?"
Ele saiu apressado. Eu vi, então, o selinho colado na lateral da caixa: "Finos doces caseiros - Leprosário Santa Clara de Assis".

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