Patinando com o Alter-Ego |
1.3.06
![]() # Carnaval, Carnaval, Carnaval, tudo igual, tudo igual, tudo igual! Mais um Mesmival que se foi e já se foi tarde! # Engraçado como a mente arrota velhíssimas lembranças. Quando eu era um menininho e ouvia falar na tal Quarta-feira de Cinzas, achava - vejam só - que tal evento anual seria um dia diferente de todos os outros - muito escuro, triste, chuvoso, no qual as pessoas teriam de usar roupas cinzentas. Naquela específica quarta-feira, eu imaginava, roupas e objetos coloridos deviam ficar em casa, trancados dentro dos armários ou, se possível, cobertos com panos. O que me angustiava era saber que eu mesmo, por não possuir nenhum traje cinza, poderia sofrer algum tipo de castigo severo, talvez até ser atirado numa cela da Cadeia Pública, peladinho, numa cela fria e totalmente cinzenta. Bah! Que drama! # Carnaval, acho eu, é apenas mais uma oportunidade para o povo balançar a bunda, encher a cara e dedicar-se ao desvairado esporte da fornicação irresponsável. Há, porém, nesta época de loucuras, coisinhas loucas que me divertem bastante. Uma delas é assistir às ridículas entrevistas daquelas pessoas que Madame Mijon, preconceituosamente, chamava de 'gentinha de televisão'. Ah, eu também vi aquela sambista comunista, aquela bem gorda, a Bete-Qualquer-Coisa-Que-Termina-Em-Alho, a oscilar leve e majestosamente (Há! Há! Há!) num carro alegórico da tal Mangueira. Essa sambista Bete-Qualquer-Coisa-Que-Termina-Em-Alho é a criatura ziriguidum-nhéco-nhéco que assina todos os manifestos dos Vermelhos, é a tal que venera Fidel Castro, Chávez, Evo Morales, Lulla e outros desastres do mundinho contemporâneo. Fico a pensar... como deve ser triste viver com a alma aprisionada nos anos sessenta... Tsc! Tsc! # Vocês devem estar curiosos para saber alguma coisa a respeito do Carnaval do Malatesta, eu aposto. Não há muito o que contar, porque, neste ano, o stronzo não caiu na esbórnia. A grande amiga dele, aquela abominável cafetina chamada Fatimona, sofreu um acidente grave e foi internada num desses hospitais da periferia. Conforme eu soube, Fatimona assentou seus trocentos quilos num vaso sanitário e este se espatifou em mil pedacinhos. Madame Mijon diria: "horreur des horreurs!" Não, não, a Fatimona já não corre risco de morrer, mas tal acidente acabou com o Carnaval do traste do Malatesta. Ele adora aquela mulher horrenda, ninguém entende por qual motivo. Diz a querida Lu que Malatesta considera a tal Fatimona como se fosse uma segunda mãe. Quem leu o meu livro de memórias sabe que a mãe do stronzo se meteu numa arapuca tenebrosa, mas isso é outra história. Pobrezinha da Dona Philomena, foi uma excelente cozinheira, naqueles idos tempos da minha infância. # Lu Bórgia também não participou de Carnaval algum. Ficou aqui em casa mesmo. Recusou-se a desfilar no bloco dos serviçais do bairro, o que foi uma decisão muito sensata. Esse bloco reúne copeiras, cozinheiras, arrumadeiras, lavadeiras, passadeiras, motoristas, jardineiros, todos aparentemente dispostos a brincar sadiamente. Contudo, ao chegar da madrugada, a coisa desanda e desanda para o lado da safadeza generalizada. Nossa querida Lu, tão refinada e ponderada, não é mulher de participar desse tipo de coisa. # Harroto de Campos, nosso gato neurótico, foi o único membro da família que sumiu de casa durante o Carnaval. Voltou hoje cedo, imundo, mancando e com os pêlos arrepiados. Quis miar, abriu a boca, mas desistiu. Não teve forças nem para subir ao tampo do piano. Ficou embaixo da banqueta, estirado como um gato morto, esperando pela equipe de resgate ("Doutor Malatesta" e "Doutora Lu"). Carnaval, se quiserem mesmo saber, já me basta o desta casa, que dura 365 dias por ano! ![]() |