Patinando com o Alter-Ego |
6.8.07
# Embora eu não tenha transmigrado para o Além, posso dizer que ressuscitei para este humilde e encantador espaço virtual. Não é fácil a vida de um cidadão como eu, discreto, honesto, trabalhador, relativamente culto e voltado para inúmeras atividades literomusicais. Sobram compromissos e falta tempo para todas as lidas, meus caros amigos. Isto sem contabilizar os terríveis dias perdidos, aqueles em que a depressão me ata os pés, as mãos e a língua. Ah! Não fossem os cuidados de minha auxiliar doméstica, Lu Borgia, a inefável mulher de minha vida, a deusa-fada de minha cozinha, a governanta de meu pequeno mundo - e não fosse também a interesseira (porém útil) boa vontade do stronzo do Giuseppe Malatesta – cabe-me reconhecer - minha pobre-rica vida já se teria esfarelado toda, como vem se esfarelando a moral deste Brasil cheio de safados e de sustentados.
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# Por falar em Brasil, estou sempre atento aos movimentos dessa gente sinistra que agora está no poder. Não acredito e nem confio na conversinha do presidente, aquele a quem Malatesta chama de 'Sua Majestade, o bugiardo grossolano' (mentiroso e tosco). Essa gente toda que está no poder é assustadora. É gente sem escrúpulos ou compaixão, gente que rouba, que corrompe, que compra consciências, que persegue e mata. Não consigo relaxar, muito menos gozar a vida despreocupadamente, enquanto paira sobre nós a estrela vermelha. Se puder, essa gente nos mete a todos em campos de concentração, não duvidem. São fanáticos, querem trucidar quem não pensa como eles, quem não engole suas lorotas, quem não é da 'seita'. Por isso, vivo sempre atento, meus caros. E não me venham falar em paranóias, porque o seguro morreu 'de velho', como dizia uma faxineira vesga e artrítica que tivemos aqui em casa, naqueles bons tempos em que não se falava em 'apagões'. # E por falar em mau gosto, em grossolanos e em criaturas desprovidas de senso do ridículo, tenho visto por aí, principalmente quando vou a um ou outro shopping, homens a carregar a bolsinha da esposa, noiva ou namorada. Eles acham, quero crer, que tal modismo grotesco tem algo a ver com cavalheirismo. Não, não há nada de bonito ou gentil no fato de um marmanjo carregar uma bolsinha, é simplesmente mais uma cafonice no mar de cafonices destes tempos trevosos. De mais a mais, cada homem já carrega um saco - lembra Malatesta -, as mulheres que levem suas bolsas. É mais do que justo! # Giuseppe Malatesta comprou duas galinhas e batizou-as de Marta e Dilma. Marta tem penas aloiradas e Dilma é mais trigueira, mais assustadora, quase uma galinha de macumba. Lu Borgia, garantiu que Malatesta foi enganado. São duas galinhas velhas para a culinária, e piolhentas, eis a verdade. O stronzo levou-as embora, dentro de um saco de farinha, e retornou com o que afirmou ser um magnífico filhote de falcão, mas que Lu jura se tratar de um urubuzinho de duas semanas de vida. O tempo dirá com quem está a razão. # Lembrei-me, hoje, daqueles interessantes dias que eu e Renan Canellas de Vargas passamos em Paris. Certa tarde, no metrô, encontramos uma iraquiana simpatissíssima, que vendia pastéis de creme de arroz com palmito. Eram pastéis pequeninos, acomodados numa graciosa cesta de vime. Compramos dois e os devoramos ali mesmo. Depois, fomos até a place de la Madeleine, entramos na caríssima confeitaria Fauchon e nos entupimos com quilos de doces de todas as cores, formatos e tamanhos. À noitinha, passamos muito mal, vomitamos as tripas - et voilà! - culpamos a iraquiana e seus minúsculos pastéis. ![]() |